Novidades

“Todos iguais, todos diferentes, todos assistindo teatro bom!”

Fazia tempo que eu não surpreendia tanto com um espetáculo e fiquei realmente estarrecida quando vi “É Proibido Miar”, um espetáculo que eleva a palavra “inclusivo” para outro patamar. Eu já tinha ouvido falar que tinha audiodescrição (para cegos), que tinha libras (para surdos) mas achava que essas “traduções” eram externas à obra.  Tomei um susto quando vi que estava tudo dentro, com os atores agindo enquanto se descrevem e falam em libras enquanto falam com a voz. Parece estranho? O melhor é que não! Essas linguagens criam muitas camadas e mesmo quem tem todos os sentidos funcionando perfeitamente é capaz de ver coisas que não veria em outra peça, ou que não prestaria atenção, como detalhes de cenário, figurino, expressões que são descritos pelos atores. Também as pessoas passam a perceber melhor a platéia e imaginar como o cego ou o surdo estão percebendo a experiência. Ou seja,  na prática, ninguém percebe as coisas da mesma forma, com ou sem os 5 sentidos (ou 6) e esse trabalho ajuda a refletir sobre isso. Os atores são geniais e conseguem fazer vários papéis sem confundir a cabeça de ninguém, num texto que não subestima ninguém. Tem piada com cego, com surdo e com quem não é cego nem surdo, já que o humor não depende dessas coisas. E é claro que o texto também fala do preconceito e do isolamento sofridos pelos “diferentes”, como no caso do cachorro que mia ao invés de latir.

É um “espetáculo infantil” só porque acontece de tarde e a história que deu base à dramaturgia é infantil, mas os adultos se deliciaram.  Fica em cartaz até 9 de Agosto na Sala Álvaro Moreyra e é a minha recomendação pra quem quer ver algo diferente de tudo que já se viu. Direção do Denis Gosch, adaptação dramatúrgica do Daniel Colin, montagem da MA Compania, produção da Fio. Gênios.  A bientôt!

via blog

Dedé Ribeiro, produtora cultural