Sobre o espetáculo

O espetáculo É Proibido Miar – baseado no livro infantil homônimo de Pedro Bandeira – conta a história de um cãozinho que não via nenhum problema em ser amigo de um gato e até mesmo em miar como um gato, mas sua família e sua dona não pensavam como ele… E é aí que as coisas acontecem.
Traremos aos palcos uma história que propõe a reflexão sobre as diferenças presentes no desenvolvimento da personalidade. Sabendo que essas diferenças se revelam das mais diversas maneiras, acreditamos que uma temática tão sensível e educativa deveria incluir grupos de pessoas que geralmente ficam à margem da cultura por falta de acessibilidade: aquelas que possuem deficiência visual, auditiva, cognitiva, entre outras. Porque a inclusão não é um favor, mas um direito. E por isso a oferta de cultura acessível deve ser cada dia mais comum.
Queremos que as crianças que não enxergam ou não escutam desfrutem de atividades artísticas em igualdade de condições com as demais, conquistando autonomia por meio de recursos de acessibilidade para constituir a plateia de hoje e também a do futuro.

Essa proposta é diferente.

Comungamos do conceito de que a deficiência não está nas pessoas, mas no ambiente, na informação e nas atitudes de acolhimento não preparados para a diversidade. Quando adaptamos essas três variáveis, a deficiência desaparece e todos temos as mesmas oportunidades de acesso.

Nossa proposta é incomum no universo do teatro infantil porto-alegrense, pois nosso interesse não está apenas na acessibilidade, mas no potencial criativo e cênico da LIBRAS e da Audiodescrição (AD). Por isso, decidimos integrar esses recursos na concepção e na dramaturgia do espetáculo. Queremos proporcionar às pessoas com diferentes habilidades de comunicação a convivência em um mesmo espaço, tendo as mesmas oportunidades de interação com a obra.

 Audiodescrição

Audiodescrição (AD) é uma tradução das informações visuais em informação sonora. É como se alguém contasse pra você o que está acontecendo no filme enquanto você está na cozinha pegando um copo d’água, sabe? Para ​as pessoas com deficiência visual isso é importantíssimo, pois nem tudo que é visto em cena é falado. Informações como figurino, cenário​, gestos​ e expressões dos atores ou movimentações discretas, silenciosas​,​ têm muito sentido na trama. E por não serem audíveis, pessoas cegas ou com baixa visão ​perdem a possibilidade de processá-las para completar​ ​o sentido da mensagem. Com a AD,​ o que é visto em cena​,​ bem como essas sutilezas​,​ ​é narrado para quem não pode enxergar ou ​enxerga com dificuldade. E assim todos podem desfrutar ​ juntos ​da história.

 Libras

A Língua Brasileira de Sinais, LIBRAS, é utilizada pela comunidade surda não sendo apenas um código para a comunicação, mas uma língua natural como qualquer outra. A diferença básica é que ela utiliza um repertório gestual para estabelecer significados. Para determinar cada um, os sinais possuem alguns parâmetros, como a localização das mãos em relação ao corpo, a expressão facial, a movimentação que se faz ou não na hora de produzir o sinal etc. Assim como a LIBRAS, o teatro precisa das expressões facial e corporal dos atores. Pensando neste ponto em comum de ambos os códigos, o de sinais e o da atuação cênica, aliado a uma série de gestos comuns a todas as pessoas, acreditamos que seja possível conceber um espetáculo para surdos e ouvintes, de modo que o que não fique claro seja traduzido por movimentos e pela LIBRAS, misturando os códigos de comunicação.

Não é encantador? Então venha nos assistir em cena!